Quando há o encontro de um casal, logo de início, os dois trocam sinais sobre a definição que cada um tem do relacionamento. Começam a se formar expectativas conscientes e inconscientes que cada um tem na relação com o outro. Decorrente dessas expectativas começa se estabelecer o Contrato Conjugal, que vai desde os desejos expressados ao companheiro até as fantasias, crenças e planos que cada um se absteve de comunicar ao outro, seja por medo ou vergonha ou até mesmo por necessidades não conscientes de ambos. Cada indivíduo tem um sistema de crenças e de expectativas diferentes do seu parceiro. Esse conjunto de expectativas são criadas pela cultura e sociedade , pela família de origem, pela mitologia, o qual consta de direitos e deveres que cada um dá e recebe dentro do relacionamento conjugal. Fazem parte do contrato, por exemplo, um grande número de tarefas como, cuidar da casa e dos filhos, trabalhar, ter relações sexuais, ter lazer e convívio social. E o sucesso ou fracasso do casamento dependem do cumprimento ou não deste sistema de crenças compartilhado e estabelecido por aquele casal considerado como único e específico deles. A cada momento de importantes mudanças na vida do casal, a cada novo acontecimento, surge a necessidade de reorganizar e rever o Contrato. As regras implícitas que regem o modelo de organização e comunicação devem ser examinadas e renegociadas sempre que não se mostrem funcionais e adequadas para o casamento e para os parceiros. Os casais de hoje tentam construir um acordo não-tradicional, porém a sociedade em geral e as próprias famílias de origem acabam por influenciar os contratos e os modelos de relação repassando diferentes mitos sobre o casamento e sobre o papel do homem e da mulher. Por exemplo, a moça que espera pelo príncipe e o rapaz que pretende ser o chefe da família. Estabelecer um Contrato Conjugal hoje se tornou um grande desafio, visto que a grande mudança social nos últimos anos colocou em discussão a validade de padrões e acordos matrimoniais que eram funcionais para as gerações anteriores. Percebe-se ainda casais unidos pelo contrato tradicional, em que a mulher, mesmo envolvida com o mundo do trabalho, ainda fica com a maior carga de responsabilidades domésticas enquanto os homens estão mais empenhados na conquista profissional. Assim, pode ocorrer uma ruptura no Contrato, que requer revisão e partilha nos deveres e obrigações. Nas famílias que apresentam disfunções percebe-se claramente um desequilíbrio de poder no casal, e isto, com o tempo, pode levar à insatisfação e a sintomas como depressão, fadiga, diminuição do desejo sexual, principalmente nas mulheres, que suportam responsabilidades proporcionais. A terapia de casal, entre outros benefícios, pode auxiliar na revisão das cláusulas do Contrato, revendo as próprias expectativas e necessidades, tornando-as mais realistas e condizentes com as possibilidades do cônjuge. Cada um deve assumir a sua parte, verbalizando suas percepções, desejos e necessidades e tomando consciência da realidade que está a sua frente, desfazendo fantasias de um eu idealizado que teve do parceiro. Tomar consciência das próprias responsabilidades liberta o outro da carga de exigências. Isto nos remete ao processo de auto-conhecimento, pois para ter uma boa relação de intimidade com o outro é imprescindível passar pela interiorização pessoal tendo intimidade consigo mesmo.