A principal necessidade do ser humano é sentir-se amado; o amor é essencial à saúde emocional. Com o suprimento adequado de afeição uma criança torna-se um adulto responsável. Porém, a necessidade de ser amado emocionalmente não é uma característica unicamente infantil; ela nos segue pela vida adulta, é inerente à nossa natureza.
O casamento nos dá a oportunidade de suprirmos esta necessidade de intimidade e de amor. Manter o relacionamento conjugal pleno de amor é extremamente importante e é trabalho árduo diário. Um dos caminhos do amor é o perdão. Reconhecer o erro nas coisas básicas com o cônjuge, como por exemplo responder agressivamente e pedir perdão ou permitir que o outro externe sua ira são formas de procurar a compreensão e reconciliação.
O perdão é uma expressão de amor e com ele podemos aceitar o que passou como experiência de vida e viver o dia de hoje livre das mágoas anteriores. Sem o perdão no casamento pode haver muito sofrimento.
O perdão nos oferece a oportunidade de crescer e ir além, desperta-nos uma disposição de trabalhar com tudo que surge no relacionamento. Às vezes culpamos o cônjuge por ele não corresponder às nossas expectativas e exigências. Para muitas pessoas é arriscado perdoar porque podem haver ganhos secundários no fato de guardar a raiva e o ressentimento. Em alguns casos guardar rancor do parceiro(a) é uma maneira de provar que se está certo, de achar que se tem o controle da situação, de evitar a intimidade, de ser ouvido, de punir o outro, de manter a posição de que o problema é dele(a) ou então de evitar um grau de clareza que poderia causar uma mudança.
Perdoar não significa que a pessoa deva ignorar comportamentos do parceiro que sejam inaceitáveis para ela; perdoar envolve lidar diretamente com essas questões e, se for preciso, estabelecer limites e conseqüências claras para comportamentos aceitáveis no futuro. Se um dos dois permite que comportamentos inaceitáveis persistam, isso pode causar ressentimento, culpa e outros conflitos que vão desvitalizando o casamento.
Dentro de todo relacionamento saudável deve haver espaço para a pessoa expressar-se, seja raiva, medo ou alegria. Num conflito conjugal de infidelidade, por exemplo, o perdão deve ser a última coisa a acontecer. Antes deve ser trabalhada a reconstrução da auto- estima, o restabelecimento da confiança, a raiva, a revisão do contrato conjugal, entre outros. Aceitar a verdade da situação é a paz que o perdão oferece. Sem o perdão a pessoa continua com raiva e sofrendo; pode ficar presa nisso ou escolher responder de uma maneira clara e sábia. É só através do perdão que há a reconquista da capacidade de viver e amar.
A finalidade do perdão no casamento não é necessariamente encorajar os cônjuges a ficarem juntos; é ajudá-los a ter paz, é ensinar ao seu parceiro(a) que ele merece ser amado e respeitado apesar do comportamento ou atitude desaprovadora que teve. Quer os cônjuges continuem juntos ou não é importante curar a si mesmo e ao relacionamento através do perdão para resolver seus sentimentos e dar continuidade à sua vida.
Os adultos tendem a repetir os temas da infância ou de gerações anteriores no contexto de seus relacionamentos íntimos. Às vezes precisamos antes perdoar nossos pais e irmãos para termos relacionamentos mais saudáveis com outras pessoas.
Perdoar é uma decisão, uma escolha, uma atitude e um modo de vida.

O QUE EU PERCEBO NO MEU TRABALHO COM CASAIS:
Os casais vão acumulando mágoas e ressentimentos ao longo dos anos de convivência e quando isto é encarado corajosamente causa uma verdadeira mudança no relacionamento;
O que o outro fez no passado muitas vezes fica guardado como “cartas na manga” para um dia ser devolvido na forma de agressões e acusações; Confundem o ato de perdoar com a aceitação da atitude desaprovadora;
A atitude de não perdoar é uma escolha e a pessoa que opta por isto é a mais prejudicada podendo desenvolver sintomas emocionais e físicos (há estudos que indicam uma forte relação entre o câncer e a mágoa acumulada).

DICAS PARA TRABALHAR O PERDÃO:
*Começar com o básico é menos ameaçador e um bom exercício para praticar o perdão é trabalhar o “não julgamento”, observando as pessoas algumas horas por dia sem manter nenhum tipo de julgamento, crítica ou distinção;
* Não negar a raiva ou mágoa para poder lidar com o perdão .
* Se você está ressentido de alguma forma com sua família de origem faça do perdão a maior prioridade;
* O perdão é um trabalho a longo prazo;
* Só podemos perdoar quando estamos preparados para tal;
* Pergunte a si mesmo: Como se sentiria se conseguisse perdoar; como seria sua vida de conseguisse perdoar ou como mudaria seu relacionamento se nele fosse incluído o perdão.