Freqüentemente surgem divergências que levam à conflitos e discussões ocasionando certa desestabilidade no relacionamento. Dessas discussões, que muitas vezes acontecem apenas para reestabelecer um equilíbrio, devem surgir mudanças.
Os maiores MOTIVOS das brigas de casais são sexo e dinheiro, sinônimos de poder e prestígio. Também há muita frustração por um não corresponder às expectativas do outro: um espera do outro aquilo que ele não pode dar ou não pode fazer e isto é motivo de sobra para discussões (ouvi de uma paciente outro dia : Ah! Sempre essas malditas expectativas !). Os casais também costumam seguir um certo padrão e se um dos dois muda, um pouco que seja, isto já é motivo para o outro não aceitar; aí surgem discussões, muitas vezes, para não haver mudanças. Se o casal briga por pequenas coisas, podem ter perdido de vista os afetos e o que realmente deve ser priorizado na vida. Muitos casais evitam brigar para evitar conflitos ou por medo de perder o vínculo, o que vai acarretando um acúmulo de mágoas e ressentimentos. Quando isto vem à tona, muitos não conseguem mais conversar e aí buscam a terapia. A falta de COMUNICAÇÃO, de diálogo aberto e franco, isto sim, dá margem a conflitos não resolvidos. A Comunicação Disfuncional, como Atacar, Censurar ou impor Rótulos é impedimento para conversar. É importante que o casal discuta para que os dois tenham a oportunidade de se colocar e de serem OUVIDOS; é assim que eles vão se conhecendo. Eu penso que BRIGAR É SAUDÁVEL se há MUDANÇA no relacionamento; se os dois cedem, se os dois ganham, então os dois crescem. O relacionamento conjugal deve ser redefinido continuamente, discutido, modificado e para isto é preciso haver discussões saudáveis também. Quando o casal briga muito, a tarefa na terapia consiste em dar uma atividade para ser realizada em comum.

ORIENTAÇÕES

1. Não deixar acumular mágoas e ressentimentos: aprender a falar na hora ou em momento apropriado. Atendi um casal que tinham coisas não ditas há 12 anos!
2. Libertar o outro da carga de exigências: Cuidar com as expectativas irrealistas. Não exigir do outro que corresponda à imagem ideal do homem ou da mulher que cada um tem;
3. Manter a individualidade e negociar as diferenças: Não precisam gostar sempre das mesmas coisas. Que cada um possa também fazer o que gosta sozinho e podem ceder e fazer uma troca, por exemplo, ele pode acompanhá-la vez ou outra ao teatro que ela adora e ela pode retribuir em algo que agrade a ele;
4. Trocar reclamações e queixas por pedidos claros: Não adianta ficar dizendo que ele(a) é assim ou assado, se utilizando de rótulos. Precisa traduzir : O QUE exatamente o outro FAZ que o (a) leva a pensar assim. E tem que aprender a PEDIR, a explicar o que deseja, sem ficar preso(a) às queixas e ao passado. Deixar bastante claro o que cada cônjuge quer ou não do outro tem uma imediata resposta de melhora no relacionamento;
5. Criar ou manter a intimidade: passar bastante tempo juntos conversando sobre sentimentos, sonhos, esperanças e também trocar muitas carícias afetuosas;
6. Buscar o autoconhecimento: quanto mais nos conhecemos mais responsáveis nos tornamos por nós mesmos e por assumirmos nossas próprias necessidades e menos esperamos que o outro venha nos satisfazer. Se aprendermos a nos amar estaremos melhor preparados para amar o outro.
7. Escute mais e fale menos! BRIGAS EM PÚBLICO: Este tipo de comportamento parece advir de relações destrutivas ou sadomasoquistas. Precisa ser observada como está a intimidade do casal, a auto-estima, a comunicação e, principalmente se tem alguém que não está sendo OUVIDO. Pode-se pensar quais são os objetivos desta exposição em público: serve para exercer controle e poder sobre o outro ? exibir-se ? provocar ? sofrer ? ou divertir-se? Observei casos em que ele precisava mostrar que era o “valentão ” e ela, a “vítima”.